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Reservatórios de usinas serão usados por pescadores

11 de Junho de 2012

Barcos de pescadores em Altamira (PA), na beira do rio Xingu

Após a conclusão da Usina Hidrelétrica Belo Monte, empreendimento do PAC 2 previsto para ser entregue em 2019, mais de 10 mil pescadores que vivem atualmente da pesca na área serão beneficiados diretamente com a permissão da utilização das águas dos reservatórios da usina. Esse benefício está previsto no Plano Básico Ambiental (PBA) e, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), 516 hectares do espelho d’água da hidrelétrica serão destinados à prática da aquicultura e pesca. 

A projeção da pasta é que, com essa prática implementada, mais de 90 mil toneladas de pescados por ano sejam produzidas - quase 20 % da aquicultura nacional atual. O assessor da chefia de Assuntos Estratégicos e Relações Institucionais do MPA, Alexandre Lantelme Kirovsky, é autor do capítulo no livro “Gestão de Reservatórios Hidrelétricos”, lançado no início deste mês, que trata justamente do aproveitamento das águas da usina de Belo Monte.

Baixe aqui a apresentação do Ministério de Pesca e Aquicultura feita em Altamira (PA) sobre as ações do setor na região.


Segundo o assessor do MPA, “a ideia é que a pesca continue, que não pare de ser uma fonte de subsistência da população local, gerando renda e emprego”. Ele acredita que, se a ideia der certo, “podemos sustentar a população local, a população atraída por conta do empreendimento, os próprios trabalhadores da usina, além de proporcionar a exportação da proteína para outros países”. 

Para Kirovsky, se esse projeto for expandido para todos os reservatórios que estão no âmbito do PAC, o número de produção de pescados pode ser ainda maior. “Se trabalharmos com a política de pesca e de aquiclutura, oferecemos o uso múltiplo da água dos reservatórios que não serve apenas para gerar energia, mas também para o desenvolvimento regional e a inclusão produtiva”. 

Atualmente, além da Usina Hidrelétrica Belo Monte, as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, localizadas em Rondônia,  também já possuem um conselho constituído para qualificar as ações relacionadas ao PBA das hidrelétricas. Em Santo Antônio, foram feitos zoneamentos para aquicultura e estudos prévios nas áreas de maior produção de aqüicultura. “A projeção aponta que nessa região poderão ser produzidas 56 mil toneladas de peixe”, afirma o assessor.

Pesca sustentável

Em Belo Monte, outras ações sustentáveis estão sendo implantadas. Um dos projetos prevê a construção de um laboratório para estudar e promover o cultivo de peixes ornamentais. “Vamos pegar, ambientar e tentar reproduzir essas espécies”, explica Kirovsky. Segundo ele, um peixe pode chegar a custar até US$ 300 no mercado internacional. Esse projeto será feito em parceria  com o Ministério da Integração, a Universidade Federal do Oeste Pará (UFOPA), a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Embrapa. 

A região do Xingu tem a segunda maior indústria de peixes ornamentais do País, de acordo com dados levantados pelo Ministério de Pesca e Aquicultura. A primeira fica em Barcelos (AM). Ao todo, são três mil pescadores que trabalham nesse ramo.

Outro projeto que está sendo finalizado é a implantação de uma Unidade de Beneficiamento de Pescado na região. O terreno já está definido e basta ser aprovado pelas câmaras temáticas do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu.  “O peixe chega em terra, é processado, filetado, congelado e já está pronto para consumo”, explica Kirovsky. Ele ainda lembra que atualmente na região o peixe é tratado ao sol e sem luvas, correndo o risco de transmitir de doenças. “Com  isso, o peixe também perde valor”, completa. 

Uma fábrica de ração de peixe também está em instalação em Uruará (PA). Para que ela possa entrar em funcionamento, pescadores estão sendo capacitados para tratar o pescado adequadamente. 

Rio + 20 

Para o editor do livro “Gestão de Reservatórios Elétricos” e pesquisador na área de recursos hídricos, Fernando Campagnoli, toda temática abordada no livro tem relação com o evento da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20. “Não adianta explorar os recursos naturais sem olhar para a questão ambiental. Estamos falando de uma matriz limpa de energia que tem de ter toda essa responsabilidade utilizada para o desenvolvimento”, observa. 

O pesquisador afirma ainda que “a discussão da gestão de reservatório tem como consequência a gestão do próprio território, que não é de competência do concessionário mas dos estados, municípios e da União”.

Saiba mais sobre este empreendimento